Comerciante enfrenta o câncer de mama e relata a trajetória de fé e superação

 

Superar o câncer de mama é algo que pode trazer lições importantes e valorizar mais ainda a vida, foi uma das principais aprendidas pela comerciante Patrícia Olímpio Ferreira, de Paranatinga (MT), que por três anos lutou contra a doença e venceu.

Hoje, com 42 anos de idade, casada e mãe de um filho de 13 anos, Patrícia conta que ter tido fé foi uma importante fonte de força enquanto teve que fazer o tratamento, que incluiu cirurgia, quimioterapia e radioterapia.

A descoberta do câncer de mama se deu quatro meses depois de ter feito um exame de rotina, em 2017. “Eu estava trabalhando quando senti um nódulo no peito. Logo fui ao médico e descobri que era um tumor maligno”. O médico que cuidou de Patrícia foi o oncologista Rogério Leite, do Hospital São Mateus, em Cuiabá, a quem a comerciante tem muita gratidão. “Ele cuidou de mim com muita responsabilidade, carinho e atenção”.

A partir daquele momento muitos questionamentos vieram à tona, e um deles é que Patrícia não tinha nenhum fator de risco para o câncer de mama. “Eu sempre cuidei da minha saúde com uma alimentação balanceada e a prática de exercícios físicos, e não entendia o porquê havia desenvolvido a doença”.

Ela narra que o mais difícil foi ter que contar para a família que estava com câncer. “A primeira coisa que pensei é que ia morrer. Mas ter fé e estar sempre na presença de Deus, e eu como católica, a igreja foi indispensável para o fortalecimento do meu corpo, alma e coração para enfrentar esse problema. Tudo isso alinhado ao tratamento e ao apoio da minha família e amigos me ajudou a superar a doença”, afirma Patrícia.

“Parei de esperar a vida que eu queria e aprendi a valorizar mais a vida que eu tinha quando descobri que podia perdê-la”, afirma a comerciante que relata ter saído de um estado de saúde ótimo e ter entrado em um “deserto”. “Isso me ensinou que não dominamos o amanhã. Por isso, façam sempre o exame preventivo, sem saúde não somos nada, cuidem-se!”.

O médico cirurgião oncológico Eduardo Garcia de Arruda, que atende no Hospital São Mateus, em Cuiabá, explica que o exame preventivo anual é muito importante para poder constatar o câncer de mama na fase inicial da doença e obter um tratamento mais eficaz. A recomendação é que mulheres a partir dos 35 anos de idade ou diante de qualquer suspeita durante o autoexame devem fazê-lo, o que inclui pacientes que possuem histórico familiar, que é um dos fatores de risco para o câncer de mama.

Eduardo destaca que mesmo os fatores de risco não sendo uma causa absoluta para a manifestação da doença, são questões que merecem atenção dos pacientes e cita que além da questão genética, os hábitos de vida, como tabagismo, ingestão de bebidas alcoólicas, medicamentos com terapia hormonal, obesidade e stress, propiciam o surgimento do câncer de mama.

As principais dúvidas

O médico Eduardo Garcia explica que as principais dúvidas trazidas pelos pacientes são: como identificar os nódulos de mama; a idade que realmente tem que fazer os exames periódicos; e a preocupação com a família e aceitação da doença.

“Ainda existem muitos tabus em torno do câncer de mama, e o que mais chama a atenção é a aceitação da doença e as possíveis sequelas. A forma de desmistificar são as campanhas, a publicidade e a orientação escolar. Viver o câncer não é fácil e, por isso, precisamos individualizar e humanizar o tratamento oncológico, cada paciente é único”, orienta o especialista.